Desde a morte da minha mãe, no dia 28 de outubro de 2023, tenho sentido uma força de mudança dentro de mim.
É difícil descreve-la, porque não faz muito sentido racional. Se eu pudesse me aproximar do que tenho sentido, lutaria com minha mente descrente, mas o fato é que estou sentindo a presença dela com muita força, talvez mais do que antes. Como numa sensação de uma guia espiritual. Apesar de termos nossas diferenças no plano terreno, no fundo estávamos na mesma direção. A direção do amor e do desenvolvimento do espírito.
Bem, desde de então, passado as primeiras sensações de perda e de tristeza, tenho sentido ela muito viva em mim. E coincidências ou não. Tenho sentindo-me mais forte e mais integro. E com mais clareza no meu caminho.
Na quarta passada no feriado da proclamação da republica. Aproveitei o tempo livre das aulas, para ir a livraria e deixar que um livro me escolhesse. E sentei-me para folhear um, "A Consolação da filosofia" de Boécio. E me deparei com um livro de filosofia da idade media, cujo o tempo rondava a morte, filosofia e espiritualidade e materialismo. Tenho o lido como uma conversa de amigo.
Há muito tempo tenho questionado o papel da arte e principalmente da música contemporânea no cenário atual. Eu estava justamente tentando resgatar o sentimento primeiro que me capturou durante a infância e me fez apaixonar pela musa do som. Que nada tinha haver com o caminho que percorri na universidade, uma música que tinha se afastado do espirito e de sua natureza primitiva. Aos poucos a insistência desse pensamento puramente racional gerou-me espécie de amargura, que me afastou da composição.
Boécio além de filosofo, conhecedor da cultura clássica, e politico, era também músico, e isso me lembrou a maneira que se pensava música na Grécia antiga e na idade média. A música tinha uma papel importante para sociedade, era também uma ligação com o cosmos e o espirito. E então como se não bastasse essa coincidência, no Spotify apareceu me como sugestão de escuta Arvo Pärt. E incrivelmente a sonoridade tinha alguma coisa de música antiga. Então, ao me aprofundar um pouco no seu trabalho, descobri que tinha muito sentindo, na segunda fase, sua música era diatônica e baseada na música medieval e descobri também inúmeros questionamentos que me ajudaram a fortificar minha tese sobre a música atual.
Concluindo, tenho um caminho longo para minhas descobertas pessoais como compositor nessa minha nova fase, mas sinto me mais confiante de que direção tomar. As ideias de propósitos de vida tem que soarem na minha música e não ao contrário. Guardo aqui palavras com algumas indicações de caminhos: Espiritual, Místico, Meditativo, Experimental, Livre. E depois de ter experimentado as canções populares, sinto que tenho mais espaço na música instrumental, por não ser limitada pela língua e nem pelo formato da canção muito estabelecido, principalmente no Brasil. Amo fazer canções, mas num formato mais experimental como na segunda fase dos Beatles, ou como bandas tipo Radiohead e The Smile. Imagino-me como um artista trocando grandes casas de shows por pequenos teatros silenciosos.