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Disco: In Memory Of My Mother

  Este disco se divide em 4 faixas que se propõe a contar sonoramente os últimos momentos da minha mãe. Faixa 1 - O chamado da coruja. Acredita-se culturalmente que quando a coruja "Rasga mortalha"canta, está anunciando a morte de alguém. Nessa peça musical utilizei um assobio como uma expressão dessa convocação. Criei um balé harmônico com a orquestra de cordas, em que as notas graves formulam perguntas e as agudas respondem com outras perguntas. Em momentos específicos, essas notas se unem, criando uma unidade sonora, mas sem conseguirem responder as grandes questões de vida e morte. Por fim, o temido chamado da coruja é explicitamente apresentado. Faixa 2 - Memórias da Infância. Reflexões no Leito de Morte" - Na medida que se torna consciente do fim, as lembranças do início inundam, rememorando uma infância distante, como sussurros do passado ecoando nas câmaras da mente. Faixa 3 - Agonia e Sublimação. Os Derradeiros Momentos de Vida" - São seus os últimos minuto...

Religião e a música (Descarrego)

O místico sempre fez parte da minha vida, durante a minha infância influenciado pela minha mãe, eu fui uma criança, adolescente e um jovem católico e fervoroso. Com vontade de seguir o caminho eclesiástico. Mas aos 23 com minhas leituras sobre a história da igreja, da sociedade antiga e medieval, mas principalmente pelo meu gosto pela filosofia moderna ocidental, particularmente Nietzsche, eu rompi totalmente com a Igreja. O que acabou afetando também minha espiritualidade por não saber na época discernir a instituição da fé. Entretanto, guardava na minha memória o clima do som e do ambiente de uma catedral, que sempre me intrigava, correlacionava a reverberação das cúpulas com o rock progressivo, mas particularmente com alguns discos do Pink Floyd.  Quando comecei a estudar música na universidade, me apaixonei pela música vocal medieval e renascentista, logo entrei para um coral, para experienciar de perto essa música, o que foi um marcante aprendizado para na minha carreira - Fui...

Lembranças musicais (formação) parte 01

A primeira lembrança musical que eu tenho, sou eu deitado no chão de cimento queimado avermelhado  na casa de amigo de rua, na cidade de Salinas das Margaridas - BA, adorávamos ouvir Raul Seixas na vitrola, eu deveria ter entre quatro e cinco anos.  Meu pai tinha sido músico profissional quando jovem, então é claro que também me lembro dele tocando em casa. Também me lembro que nessa época eu gostava de gravar fitas com minhas músicas preferidas e no intervalo entre elas, eu fazia as chamadas e comentava, como se estivesse numa estação de rádio.  Mas o gosto pela composição aconteceu aos meus 10 anos, período que morei na Ilha de Itaparica com meu pai, quando decidi aprender violão e teclado. Aos 11 compus minha primeira música mais relevante, com letra do meu irmão mais velho, Patrick. Essa música mais tarde levaria minha banda ao 5° lugar do festival de música regional, do Baixo Sul da Bahia. Ganhamos o prêmio revelação.  Era um pop rock com uma letra meio melancól...

Sinos - Soar de uma nova fase

SINOS - rascunho sonoro para piano e a própria gravação da mesma tocada revessa e simultaneamente.  Simbolizando a inexistência de um tempo linear, onde passado e futuro acontece ao mesmo tempo e o presente é apenas uma ilusão dos pontos de intercessão entre as duas linhas sonoras tocadas ao mesmo tempo, mas que partem de direções opostas. Essa peça esboço inaugura minha nova fase como compositor.   Esse momento que se inicia nasce da busca por uma percepção mais intuitiva, que venho tentando resgatar há mais de uma década e que passa por uma nova leitura pessoal sobre a vida e morte. E também sobre a ressignificação do sentido da música na minha vida.  Com a morte da minha mãe a minha percepção de tempo mudou, logo eu que sempre fui tão cético, tenho vivenciado da presença dela, como num emaranhado atemporal. E isso tem me conectado com a minha intuição mais pura, limpa de objeções. Tudo parece mais fluido e mais vivo. E o interesse pela criação musical voltou a ter...

Alguma Coisa Mudou

Desde a morte da minha mãe, no dia 28 de outubro de 2023, tenho sentido uma força de mudança dentro de mim. É difícil descreve-la, porque não faz muito sentido racional. Se eu pudesse me aproximar do que tenho sentido, lutaria com minha mente descrente, mas o fato é que estou sentindo a presença dela com muita força, talvez mais do que antes. Como numa sensação de uma guia espiritual. Apesar de termos nossas diferenças no plano terreno, no fundo estávamos na mesma direção. A direção do amor e do desenvolvimento do espírito.       Bem, desde de então, passado as primeiras sensações de perda e de tristeza, tenho sentido ela muito viva em mim. E coincidências ou não. Tenho sentindo-me mais forte e mais integro. E com mais clareza no meu caminho.  Na quarta passada no feriado da proclamação da republica. Aproveitei o tempo livre das aulas, para ir a livraria e deixar que um livro me escolhesse. E sentei-me para folhear um, "A Consolação da filosofia" de Boécio. E me...